A reunião que ninguém faz
Existe uma reunião que praticamente nenhum board executa em 2026: a conversa honesta sobre o que o time técnico está deixando de fazer enquanto a executiva pede mais IA, mais dashboards, mais squads.
Esta é a pauta dessa reunião — em 5 tópicos que normalmente ficam no fim do plano trimestral e nunca chegam a ser discutidos.
1. A dívida técnica de IA acumulada em 18 meses
Quase toda empresa de médio porte tem entre 5 e 30 POCs de IA paradas em diferentes estados: notebooks Colab, scripts em S3, automações em Zapier. Nenhum desses tem monitoramento de drift, custo apurado por workload, ou owner formal. Quando um deles falha, ninguém é dono. Quando funcionam bem, ninguém escala.
Pergunta para o board: quantos sistemas de IA temos em produção? Não sabemos? Esse é o primeiro problema.
2. A formação técnica do time virou benefício, não estratégia
Voucher de Udemy distribuído por RH não substitui formação estruturada. Em 2026, time técnico se forma em trilhas com instrutor, projeto real e mentoria — porque os manuais oficiais (Anthropic, OpenAI, AWS) mudam a cada 8 semanas e a documentação não acompanha.
Empresas que tratam formação como benefício individual gastam o mesmo que empresas que tratam como estratégia, mas só uma das duas tem time atualizado.
3. Squad de IA dentro de squad de produto não funciona
O modelo "vamos colocar 1 ML engineer em cada squad" cria silos disfarçados de matrix. O ML engineer fica isolado tecnicamente, faz POC sem revisão de pares e o trabalho dele não escala.
O modelo que tem funcionado: squad de IA central que opera como serviço interno (com SLA, roadmap, guard rails) e times de produto que consomem suas APIs/copilotos. Como o time de DBA fazia em 2010.
4. RH não consegue contratar o que CTO precisa
A vaga "Engenheiro de IA" abre. Currículos chegam. 60% são generalistas com 1 curso de prompt engineering. 30% são pesquisadores acadêmicos sem experiência de produto. 10% são reais — e custam 3x mais do que o budget aprovado.
A saída não é insistir nessa vaga. É formar internamente quem já entende do negócio. CTO + CHRO + Educação Corporativa precisam co-desenhar trilha de transição (dev → ML engineer, dev → AI engineer) com 4–6 meses de cronograma.
5. O CFO está pagando por ferramentas que ninguém usa
GitHub Copilot, ChatGPT Enterprise, Notion AI, Anthropic Console, Linear AI, Glean, Slack AI. Toda empresa tem. Quase ninguém mede uso real por usuário.
Em metade das empresas que conversamos, mais de 40% das licenças premium são pagas para usuários que abriram a ferramenta menos de 3 vezes em 90 dias. Isso é orçamento que poderia ir para formação ou para infraestrutura — e nenhum CFO tem esse painel hoje.
A pauta da próxima reunião
Se o board entrar nessas 5 conversas honestamente, sai com clareza sobre três coisas: o que está em produção, o que está sendo aprendido, e o que está sendo desperdiçado.
Para acelerar essa conversa, a EBAC Business desenha programas de liderança tech in-company com diagnóstico inicial e plano de formação trimestral. Tudo o que está descrito acima vira workshop com cases reais.